Auschwitz-Birkenau

Visita ao Museu Auschwitz-Birkenau

Porta principal. “Arbeit macht frei“, que significa “O trabalho liberta”

Informações gerais da viagem

Essa  viagem eu fiz entre os dias 27 de maio e 02 de junho de 2017, com duas amigas espanholas (uma delas é a mesma do post de Budapeste). Muchas gracias por ese viaje guapas!!

A primeiras coisa que eu quero falar é sobre o tempo, que é um fator essencial para mim! A Polônia pode ser muito fria, conversando com os guias eles falaram de -20°C, ou seja, o inverno pode ser muito rigoroso! Lembrando que eu, Natalia, não gosto de fazer turismo no inverno! Vale a pena pesquisar sobre o clima do país e planejar o que mais te agrada! Por fim nós escolhemos a primavera porque as temperaturas já estão agradáveis e não é férias no hemisfério norte, então as passagens não estão caras. Só que o destino me pregou uma peça e vivemos nessa viagem uma onde de calor na Europa hahahaha, mas sem problemas, para mim sempre melhor calor que frio!

Essa postagem será a primeira de quatro sobre a Polônia! Aqui vamos falar de Auschwitz-Birkenau, no segundo de Cracóvia, no terceiro de Breslávia e por último da capital Varsóvia!

A moeda polonesa é o zloty! Deixe para fazer o câmbio na cidade porque é mais vantajoso! Jamais faça isso no aeroporto que você perderá dinheiro. A cotação de zlótis para euro que eu usei aqui foi 1€=4 zlótis que é da época da viagem (maio/junho de 2017), então vale a pena dar uma pesquisada antes de ir.
Dia quente em Auschwitz

Como chegar no Museu Auschwitz-Birkenau?

Eu fui de ônibus desde Cracóvia para Auschwitz , então falarei aqui umas coisinhas antes: em Cracóvia eu não vou dar dica de hospedagem! Infelizmente fizemos uma reserva no Booking.com e quando chegamos no hostel a mulher da recepção disse que não havia vaga, apesar da nossa reserva estar confirmada. E o que mais me deixou chateada é que ela não nos ajudou em nada! Vou deixar o hostel aqui para você NÃO fazer reservas com eles, se chama Rasta Hostel! Faz muito tempo que não uso o Booking.com, usei muito em 2013 e nunca tive problema, mas nessa viagem tive muita decepção com eles e não recomendo mais! Ao longo das cidades contarei outro problema que tivemos por reservar com Booking.com.

A passagem de ida eu paquei €27,00 com a companhia Ryanair no trecho Eindhoven (Países Baixos) -> Cracóvia (Polônia). Eu geralmente deixo aqui o valor da tarifa para você ter uma noção, mas depende muito qual a sua cidade de partida. Para quem chega em Cracóvia pelo aeroporto é muito fácil ir para o centro! Eu optei ir com trem e custou 9 zlótis (≈ €2,25), mas tem a opção de ônibus que é um pouco mais barato e outros que vou deixar aqui.

Essa visita foi a primeira coisa que eu fiz no dia posterior da minha chegada a Polônia. O ônibus até lá sai da estação central de ônibus (colocar Kraków bus station no Google maps) de Cracóvia que fica do lado da estação central de trem. A mulher da bilheteria fala inglês e nos informou que a passagem é paga diretamente ao motorista que também fala um pouco de inglês. De Cracóvia até Auschwitz são aproximadamente 1h25min e a passagem de ida custa 14 zlótis (≈ €3,50). Fique ligado nos horários da volta, sempre tem muito turista ali e o ônibus fica cheio rápido!

Como comprar o ingresso para o Museu?

A visita nos campos eu fiz com guia em espanhol e comprei nesse link aqui (o valor foi de € 11,00). A nossa guia era muito boa e eu aprendi muita coisa nesse dia, apesar do clima triste do passeio. A duração total da visita dentro dos campos é de 3 horas, então reserve quase um dia praticamente para esse passeio porque para você ter uma ideia o tempo que levei para fazer tudo foi: 8:45 até 10:05 ônibus até Auschwitz; 10:45 até 12:40 tour em Auschwitz I; 13:00 até 14:00 tour em Auschwitz II – Birkenau; 14:15 até 15:55 ônibus de volta à Cracóvia (tinha trânsito então a volta demorou mais).

Nossa guia

O que você verá na visita ao Museu Auschwitz-Birkenau

Eu estou com muita dificuldade de escrever sobre esse tópico, então serei muito breve na explicação (do porquê) da minha visita no Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau e logo falarei das informações turísticas e por fim um breve contexto histórico. A História é um dos fatores que me motiva em viagens, ler livros sobre coisas que aconteceram no passado e ter a oportunidade de vê-las pessoalmente é um privilégio para mim. Infelizmente na história há acontecimentos inexplicáveis e imperdoáveis que foram feitos pelos homens e visitar um local onde morreram muitos judeus e  pessoas de outras nacionalidades foi muito difícil. Algumas pessoas me disseram que não tem coragem de ir até lá, mas eu sempre quis fazer essa visita para levar meus sentimentos ao povo judeu e todos os outros prisioneiros.

“Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo”
George Santayana

Nas fotos abaixo você não me verá nelas porque não tinha como eu sorrir para um flesh ou abraçar minhas amigas para tirar uma foto num local com esse passado. Você entende o que quero dizer? Eu vi um casal tirando foto sorrindo numa parede onde prisioneiros eram fuzilados pelos nazistas e eu não me senti nada bem com aquela situação.

Enfim…respeito em primeiro lugar! Eu quero deixar aqui essa página (click aqui) para você ver o que pessoas sem noção estão fazendo! Campo de concentração, memorias, etc é lugar de respeito, por favor, não façam isso!
Cerca de arame farpado no campo de concentração de Auschwitz I

KL Auschwitz foi criado em 1940 e no princípio ali se encontravam prisioneiros políticos polacos, transformando-se mais tarde no maior campo de extermínio europeu nos cinco anos que durou a II Guerra Mundial. Os nazistas levaram para lá pessoas de toda a Europa, em sua maioria judeus, mas também ciganos e prisioneiros de guerra soviéticos. Trens de muitos lugares chegavam em KL Auschwitz com tchecos, iugoslavos, franceses, austríacos, alemães, polacos, etc. Alguns desses trens podia até percorrer 2.400 quilômetros onde as pessoas eram colocadas em vagões de mercadoria totalmente fechados e sem receber nenhuma comida. Essa viagem podia durar de 7 a 10 dias e quando finalmente as portas dos vagões se abriam algumas pessoas já chegavam mortas, principalmente as crianças e os idosos. Assim que eles saiam do trem as pessoas sobreviventes à viagem eram escolhidas pelos médicos da SS (termo alemão que significa Schutzstaffel, “esquadrilha de proteção” em português). Apenas as pessoas com “capacidade de trabalhar” podiam entra no campo, os outros não escolhidos não eram registrados e eram levados diretamente para a câmara de gás. Por isso é difícil dizer exatamente quantas pessoas ali chegaram, a maioria dos historiadores estima que o número total de vítima foi de aproximadamente um milhão e meio.

Antiga plataforma de descarga

A área escolhida pelos nazistas era afastada da cidade e ali encontrava-se um antigo quartel abandonado do exercito polonês que já possuía 20 edifícios, entre os quais 14 eram térreos e o restante tinha dois andares. Entre 1941-1942 segundos andares foram acrescentados pelos prisioneiros nos 14 edifícios e também foram construídos mais 8 novos totalizando em 28 e utilizando a mão-de-obra barata desses prisioneiros. Abaixo você vê claramente a linha na parece sinalizando onde termina o piso térreo e começa o segundo andar feito pelos prisioneiros:

Olhe na linha acima da porta Detalhe sinalizando o começo do 2º andar
Detalhe da porta

Quanto mais prisioneiros chegavam mais se expandia o maior centro de genocídio de Hitler, porém os que se conservaram como museu foi o KL AuschwitzKL Auschwitz II – Birkenau. Esse último fica a 3 quilômetros da base e é onde estavam as câmaras de gases e a plataforma ferroviária por onde chegavam os deportados. As vítimas que não eram escolhidos pelos médicos da SS não sabiam que seriam levados para uma câmara de gás, eles eram informados que tomariam um banho. Os soldados ordenavam que eles tirassem a roupa e eram encaminhados para uma sala subterrânea. Essa sala parecia um enorme banheiro com chuveiros e assim que a porta se fechava eram lanchados pelos buracos dos “chuveiros” o gás Zyklon B que os matavam entre 15 e 20 minutos. Uma câmara de gás (ver foto abaixo) era feita para aproximadamente 2.000 pessoas e eram necessários de 5 a 7 quilos de Zyklon B para matá-las.

Entrada da câmara de gás Interior
Latas de Zyklon B

Alguns prisioneiros que chegavam a KL Auschwitz trabalhavam no campo, outros na construção de novas estradas e em sistemas de drenagem, sem direito a descansos e sujeitos a golpes constantes dos vigilantes da SS. Nem se quer comiam direito para aguentar esse sofrimento e morriam por desnutrição. No total de um dia recebiam entre 1.300 a 1.700 calorias: o café da manhã era apenas café ou uma infusão de ervas; no almoço uma sopa quase sempre preparada com legumes, que muitas vezes estavam podres; e na janta 300 a 350 gramas de um pão negro com 20 a 30 gramas de salsicha ou manteiga ou queijo. As doenças e epidemias também estavam constantemente presentes num ambiente com falta higiene básica: as roupas íntimas dos prisioneiros eram trocadas em intervalos semanais ou até mensal! A roupa (foto abaixo) não era trocadas nunca e muito menos os protegiam do frio. Tudo isso contribuía para o aparecimento da sarna e o tifo exantemático e abdominal (doença epidêmica transmitida por parasita).

Roupa usadas pelos prisioneiros Fotografias mostrando a desnutrição

As noites de sonos deles eram as piores possíveis, geralmente em uma sala que onde cabiam 40 a 50 pessoas apertadas, mas dormiam 200. Havia também barracões que tinham “camas” de três níveis (ver foto abaixo) e em cada “cama”era para duas pessoas ou mais e as cobertas eram sempre sujas e rasgadas que não protegiam de um inverno que poderia chegar em seu pior dia a -30 graus.

Um dos barracões “camas”

Foi em janeiro 1945 que os soviéticos liberaram Auschwitz, mas infelizmente quando eles chegaram os nazistas já haviam retirado a maioria dos prisioneiros na conhecida “marcha da morte” rumo ao oeste alemão. Os soldados da SS também tentaram destruir o crematório e parte do campo de concentração para esconder as evidências do extermínio em massa, porém o Exército Vermelho (soviéticos) encontraram muitos judeus ainda vivos e muito fracos, sendo a prova de tudo que aconteceu naquele lugar.

Ruínas de um dos crematórios destruídos pelos nazistas

Todas essas informações você terá nesse tour e muitas outras também! Na próxima postagem eu falarei sobre Cracóvia (Kraków).

Se você já fez essa visita e tem mais dicas ou tem alguma dúvida, por favor deixe nos comentários!

Até breve!
Natalia

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