Auschwitz-Birkenau

Como visitar o Museu Auschwitz-Birkenau

Porta principal. “Arbeit macht frei“, que significa “O trabalho liberta”

Informações gerais da viagem

Essa  viagem eu fiz entre os dias 27 de maio e 02 de junho de 2017, com duas amigas espanholas (uma delas é a mesma do post de Budapeste). Muchas gracias por ese viaje guapas.

A primeiras coisa que eu quero falar é sobre o tempo porque a Polônia pode ser muito fria. Conversando com os guias eles falaram que pode chegar a -20°C, ou seja, o inverno pode ser muito rigoroso. Vale a pena pesquisar sobre do clima do país e planejar o que mais te agrada. Por fim, nós escolhemos a primavera porque as temperaturas são agradáveis. Além disso não é férias no hemisfério norte, então as passagens são baratas. Entretanto o destino nos pregou uma peça e vivemos nessa viagem uma onde de calor na Europa. Para mim sem problemas, sempre melhor calor que frio!

Dia quente em Auschwitz

Em Cracóvia eu não vou dar dica de hospedagem. Infelizmente fizemos uma reserva no Booking.com e quando chegamos no hostel a mulher da recepção disse que não havia vaga. Com efeito, o que mais me deixou chateada é que ela não nos ajudou em nada. Ele se chama Rasta Hostel, porém NÃO faça reserva com eles! Eu usei muito o Booking.com em 2013 e nunca tive problema, mas nessa viagem tive muita decepção. Por isso não recomendo mais.

A passagem de ida foi €27,00 com a Ryanair desde Eindhoven (Países Baixos) até Cracóvia. No aeroporto peguei um trem que custou 9 zlótis (≈ €2,25) até o centro. Há também ônibus que é um pouco mais barato, porém demora mais. Você pode ver aqui mais informações.

Essa postagem será a primeira de quatro sobre a Polônia. O segundo será Cracóvia, no terceiro Breslávia e por fim a capital Varsóvia.

A moeda polonesa é o zloty! Entretanto deixe para fazer o câmbio na cidade porque é mais vantajoso. Se possível, não faça isso no aeroporto porque você perderá dinheiro. A cotação que eu usei aqui foi 1€=4 zlótis, que é da época da viagem (maio/junho de 2017).

Como chegar no Museu Auschwitz-Birkenau?

O ônibus para Auschwitz sai da estação central (colocar Kraków bus station no Google maps). Ele fica do lado da estação central de trem e a passagem é paga diretamente ao motorista. A viagem é de aproximadamente 1h25min e a passagem de ida custa 14 zlótis (≈ €3,50). Se possível fique atento aos horários da volta, sempre tem muito turista e por isso, o ônibus fica cheio rápido.

Onde comprar a entrada para Auschwitz-Birkenau?

A entrada para a visita eu comprei on-line e o valor foi de € 11,00. O idioma escolhido foi espanhol, mas no site você tem mais opções. A nossa guia foi muito boa em sua explicação. Apesar do clima triste do passeio, eu aprendi muita coisa. A duração da visita são 3 horas, então reserve mais que meio dia. Em suma, o meu trajeto foi: 8:45 até 10:05 ônibus até Auschwitz; 10:45 até 12:40 tour em Auschwitz I; 13:00 até 14:00 tour em Auschwitz II – Birkenau; 14:15 até 15:55 ônibus de volta à Cracóvia (tinha trânsito então a volta demorou mais).

Nossa guia

Porque visitar Auschwitz?

Eu estou com muita dificuldade de escrever sobre esse assunto, então serei muito breve na explicação (do porquê) da minha visita no Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau. Depois falarei das informações que recebi e por fim um breve contexto histórico.

A História é um dos fatores que me motiva em viagens. Desse modo, ler livros sobre coisas que aconteceram no passado e ter a oportunidade de vê-las pessoalmente é um privilégio. Infelizmente na história há acontecimentos inexplicáveis e imperdoáveis que foram feitos pelos homens. Então, visitar um local onde morreram cruelmente muitas pessoas foi muito difícil. Alguns me disseram que não tem coragem de ir, mas eu quis fazer essa visita para levar meus sentimentos ao povo judeu e todos os outros prisioneiros.

Você não me verá nas fotos abaixo. Não tem como eu sorrir para um flash ou abraçar minhas amigas para tirar uma foto num local com esse passado. Você entende o que quero dizer? Eu vi um casal sorrindo para foto numa parede onde prisioneiros eram fuzilados pelos nazistas!
Por favor, respeito em primeiro lugar. Essa página mostra turistas sem noção. Campo de concentração, memoriais, etc é lugar de respeito.

“Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo”
George Santayana

Como tudo começou…

Cerca de arame farpado no campo de concentração de Auschwitz I

KL Auschwitz foi criado em 1940, mas no princípio ali se encontravam apenas prisioneiros políticos polacos. Os nazistas levaram para lá pessoas de toda a Europa, em sua maioria judeus, mas também ciganos e prisioneiros de guerra soviéticos.

Trens de muitos lugares chegavam em KL Auschwitz com tchecos, iugoslavos, franceses, austríacos, alemães, polacos, etc. Alguns desses trens podia até percorrer 2.400 quilômetros. As pessoas eram colocadas em vagões de mercadoria totalmente fechados e sem receber nenhuma comida. Além disso, essa viagem podia durar de 7 a 10 dias. Quando as portas dos vagões se abriam, algumas pessoas estavam mortas, principalmente crianças e idosos. Por fim, os sobreviventes à viagem eram escolhidas pelos médicos da SS (termo alemão que significa Schutzstaffel, “esquadrilha de proteção”) nas plataformas de chegada.

Apenas as pessoas com “capacidade de trabalhar” podiam entra no campo, os outros eram levados diretamente para a câmara de gás. Por isso é difícil dizer exatamente quantas pessoas chegaram. Contudo, a maioria dos historiadores estima que o número total de vítima foi de aproximadamente um milhão e meio.

Antiga plataforma de descarga

Mão-de-obra escrava

A área do campo de concentração era afastada da cidade e ali era um antigo quartel abandonado do exército polonês. Eram 20 edifícios, entre os quais 14 térreos e o restante tinha dois andares. Entre 1941-1942 os segundos andares foram acrescentados pelos prisioneiros nos 14 edifícios. No final, foram construídos mais 8 novos adicionalmente, totalizando em 28. Abaixo você vê claramente a linha na parece, sinalizando onde termina o piso térreo e começa o segundo andar.

Olhe na linha acima da porta Detalhe sinalizando o começo do 2º andar
O edifício que você vê acima é fica no KL Auschwitz , que é onde nossa guia começa o tour. O KL Auschwitz II – Birkenau fica a 3 quilômetros e é onde estavam as câmaras de gases e a plataforma ferroviária, por onde chegavam os deportados. Todo esse trajeto é feito durante o tour.

As câmaras de gás

As vítimas que não eram escolhidos pelos médicos da SS não sabiam que seriam levados para uma câmara de gás. Eles eram informados que tomariam um banho. Os soldados ordenavam que eles tirassem a roupa e os encaminhavam para uma sala subterrânea. Essa sala parecia um enorme banheiro com chuveiros. Assim que a porta se fechava eram lanchados pelos buracos dos “chuveiros” o gás Zyklon B, que os matavam entre 15 e 20 minutos. Uma câmara de gás era feita para aproximadamente 2.000 pessoas e eram necessários de 5 a 7 quilos de Zyklon B para matá-las.

Entrada da câmara de gás Interior
Latas de Zyklon B

A vida dos prisioneiros

Alguns prisioneiros que chegavam a KL Auschwitz trabalhavam no campo. Outros na construção de novas estradas e em sistemas de drenagem, sem direito a descansos e sujeitos a golpes constantes dos vigilantes da SS. Além disso nem se quer comiam direito para aguentar esse sofrimento e morriam por desnutrição.

No total de um dia recebiam entre 1.300 a 1.700 calorias: o café da manhã era apenas café ou uma infusão de ervas; no almoço uma sopa quase sempre preparada com legumes, que muitas vezes estavam podres; e na janta 300 a 350 gramas de um pão negro com 20 a 30 gramas de salsicha ou manteiga ou queijo.

As doenças e epidemias também eram constantemente presentes num ambiente com falta higiene básica. As roupas íntimas dos prisioneiros eram trocadas em intervalos semanais ou até mensal! A roupa de cima não era trocadas nunca e muito menos os protegiam do frio. Desse modo o aparecimento da sarna e o tifo exantemático e abdominal (doença epidêmica transmitida por parasita) eram constantes.

Roupa usadas pelos prisioneiros Fotografias mostrando a desnutrição

As noites de sonos deles eram as piores possíveis, geralmente em uma sala que onde cabiam 40 a 50 pessoas apertadas, mas dormiam 200. Havia também barracões que tinham “camas” de três níveis (ver foto abaixo) e em cada “cama” era para duas pessoas ou mais. As cobertas eram sempre sujas e rasgadas que não protegiam de um inverno que poderia chegar a -30 graus.

Um dos barracões “camas”

O fim

Foi em janeiro 1945 que os soviéticos liberaram Auschwitz, mas infelizmente quando eles chegaram os nazistas já haviam retirado a maioria dos prisioneiros na conhecida “marcha da morte” rumo ao oeste alemão. Os soldados da SS também tentaram destruir o crematório e parte do campo de concentração para esconder as evidências do extermínio em massa. Entretanto o Exército Vermelho (soviéticos) encontraram muitos judeus ainda vivos e muito fracos, sendo a prova de tudo que aconteceu naquele lugar.

Ruínas de um dos crematórios destruídos pelos nazistas

Todas essas informações você terá nesse tour e muitas outras também. Na próxima postagem eu falarei sobre Cracóvia.

Se você já fez essa visita e tem mais dicas ou tem alguma dúvida, por favor deixe nos comentários!

Até breve!
Natalia

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