Parte 1 – Salar de Uyuni

Parte 1: Salar de Uyuni – Bolívia!

Mochilão feito entre 27/12/2013 e 18/01/2014.

Por que parte 1? Eu achei melhor dividir a viagem em 3 partes e cada parte terá um foco! Na parte 1 será o Salar de Uyuni na Bolívia.

Vamos então as principais dicas que tenho sobre essa viagem 🙂

Com certeza essa é a minha melhor viagem quando alguém me pergunta: Qual sua viagem favorita? O principal motivo foi que eu vi lugares que superaram minhas expectativas e chegar até Machu Picchu era um sonho desde a época do ensino fundamental com as aulas de História.

Algumas informações gerais:

  • Meios de transportes utilizados: ônibus (basicamente a viagem inteira foi feita assim); trem (“Trem da Morte” na Bolívia); táxi (pequenos trechos) e avião (de Campo Grande-MS até Campinas-SP)
  • As passagens de ônibus foram praticamente todas compradas na hora, sem planejamento. Apenas o trecho Piracicaba-SP a Corumbá-MS foi comprada antecipadamente. 
  • A mesma situação aconteceu para a hospedagem, geralmente eu e meus amigos chegávamos na cidade e a primeira coisa era procurar o hostel.
  • Cuidado! Apenas tome água comprada no mercado! Nunca tome água da torneira e evite comer comida como caldos/sopas em restaurantes porque muitas vezes eles usam água da torneira e eu não aconselho.
  • Sapatos: levar o mais confortável possível! Essa era uma viagem com mochilão, então não tem glamour! O que eu levei: 1 chinelo, 1 tênis de caminhada velho e 1 bota de trilha.
  • Roupa de frio? Sim, mas apenas 1 casaco pesado e uma roupa térmica se você sente mito frio! O que eu levei? 1 casaco, 1 calça térmica e 1 blusa térmica! Lembrando que eu fiz essa viagem em dezembro e janeiro e no hemisfério sul é verão, então apenas usei essas roupas em lugares montanhosos.
  • Dinheiro utilizado: dólar. Faz 3 anos que fiz essa viagem, então todas as informações dadas aqui serão de 3 anos passados, assim que, vale a pena buscar dicas mais recentes. Além do dólar em espécie eu também fiz um cartão da Confidence Câmbio no Shopping Piracicaba, mas há em muitas cidades do Brasil. Esse é o site deles para maiores informações!
  • Por que dólar? O câmbio de Real para as moedas locais não é bom, sempre é melhor a troca de Dólar para a moeda local (informações de 3 anos passados e o dólar não estava nas alturas como hoje!!!). O cartão da Confidence Câmbio me ajudou porque eu não precisava levar tudo em espécie e podia sacar com facilidade em quase todas as cidades que passei.
  • As outras dicas eu vou escrevendo junto com o texto e as fotos abaixo. E se você leitor tem alguma pergunta pode me escrever nos comentários no final da página!

Início da viagem: 27/12/2013 – Piracicaba – SP.

Participantes: minha querida amiga Francielli de Florianópolis-SC, meu brother Rafael de Piracicaba-SP e meu namorado Paul (que se juntou ao grupo no Chile dia 04/01/14).

No dia 27/12/2013 pegamos o primeiro ônibus para Campo Grande-MS e viajamos durante a noite. No dia seguinte esperamos a conexão para Corumbá-MS e viajamos durante o dia.
Eu me lembro do calor forte ao chegar em Corumbá (dia 28/12)! Piracicaba é quente, mas Corumbá ganhou! E depois procuramos um hotel simples próximo da rodoviária e mais tarde fomos a um barzinho pra dar aquela relaxada!

  • Companhia de ônibus de Piracicaba até Corumbá: Andorinha

Ônibus: Piracicaba-SP com destino a Corumbá-MS. Fonte: Google Maps. 

Fran curtindo a primeira parada em Corumbá – MS!

Na manhã do próximo dia (29/12) pegamos um ônibus para a fronteira entre Corumbá-MS-Brasil e Puerto Quijarro-Bolívia.

Ponte de divisa entre Cobrumbá-MS e Puerto Quijarro-Bolívia

Depois da passagem pela Polícia Federal do Brasil e dada a entrada na Bolívia trocamos um pouco de real por boliviano (moeda local), esse foi o único lugar que fiz essa troca (real-boliviano).

Logo depois pegamos um táxi e fomos para a estação de trem. O trem Expresso Oriente (“Trem da Morte”) tem como destino Santa Cruz de La Sierra .

Os guichês de venda estavam fechados quando chegamos na estação, então ficamos ali até abrir. Assim que abriu nós descobrimos que não havia mais passagens à venda. Eu lembrei que li na internet que isso poderia acontecer e que haviam cambistas vendendo essas passagens, mas onde estavam esses eles? Nenhum sinal!

O que fizemos? Ficamos por ali uns minutos e vimos um homem que estava circulando por ali. Meu amigo Rafael foi falar com ele e o homem pediu para que voltássemos perto da hora do embarque. Não era garantido que íamos conseguir as passagens, mas decidimos arriscar porque tinha a opção de ir com ônibus para Santa Cruz de La Sierra.

Estação de trem em Puerto Quijarro

Demos um passeio e comemos enquanto esperávamos. Eu também li que a cidade era perigosa, então se você precisa passar a noite por aquela região melhor dormir em Corumbá.

Perto da hora de embarque estávamos na estação e esperamos todos embarcarem. O homem estava ali novamente e nos deu um sinal para esperar até a hora que ele chamasse. Quando todos estavam no trem ele nos chamou e também com ele estava a polícia. O policial pegou nossos documentos e o homem nos mostrou nossos assentos. Arriscado? Eu acho que foi, mas essa foi nossa escolha. 

Depois da partida do trem o policial veio cobrar as passagens com o Rafael e devolver os documentos. Foi 10 bolivianos a mais por passagem que o normal. Não sei o quanto o primeiro homem ganhou com isso ou se o policial ficou com a maior parte do dinheiro, enfim…

Eu achei interessante contar essa história porque não aconteceu exatamente como eu tinha lido em outros blogs na Internet. Coisas assim provavelmente acontecerá com você. Nada é como nos manuais 😉

Finalmente estávamos no trem e eu fiquei muito feliz porque queria ir a Santa Cruz de La Sierra com o famoso “Trem da Morte”. 

Por que Trem da Morte? Segundo a página on-line da revista Mundo Estranho, “o apelido nasceu no século passado, quando a composição foi usada para transportar leprosos, doentes e corpos das vítimas de uma grave epidemia de febre amarela que se abateu sobre a região de Santa Cruz. Além disso, naquela época, a ferrovia não estava em suas melhores condições e descarrilamentos eram comuns, o que contribuiu para reforçar a má fama do trem.”
*http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-e-o-trem-da-morte

  • Os brasileiros precisam apenas no RG para viajar por Bolívia, Chile e Peru. Eu optei por levar o passaporte também, mas meus amigos levaram apenas o RG, então você decide!
  • Eu também li em muitos lugares na internet que você deve ter o certificado da Anvisa da febre amarela. Em nenhum momento da viagem nos pediram isso, mas claro levamos porque era obrigatório. Leve a sua!

Foto interna do Expresso Oriente! Todo mundo feliz 🙂

Corumbá-MS até Santa Cruz de La Sierra-Bolívia (Trem desde Puerto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra). Fonte: Google Maps.

O trem Expresso Oriente faz algumas paradas e você pode descer comprar comida. Há também pessoas que ficam do lado de fora fazendo um churrasquinho. Vendedoras também entram no trem para vender empanadas e outras comidas caseiras. Eu lembro que compramos um salgado que parecia um pão-de-queijo grande e era gostoso demais.

No dia 30 de dezembro, chegamos em Santa Cruz de La Sierra e a primeira coisa que fizemos foi comprar a passagem para Sucre (no terminal onde o trem nos deixou). E depois pegamos um táxi e fomos ao mercado Los Pozos. Não comemos no mercado, mas em um restaurante em frente:

Essa é a cerveja boliviana Paceña! 🙂

Comida simples e boa!

Esse é um suco típico. Eu consumia praticamente tudo que era típico do país!

Foto de uma Igreja que estava em frente a uma praça (foto abaixo).

Praça em Santa Cruz de la Sierra

No fim da tarde voltamos para a mesma rodoviária e esperamos pelo ônibus. O próximo destino era Sucre, a 17 horas de Santa Cruz e o nosso ônibus não tinha banheiro! Sim, isso é normal na Bolívia! A maioria do ônibus não tem banheiro e nem ar condicionado, então em toda parada desça para ir ao banheiro.

  • Quase todo os banheiros nas paradas do ônibus e nas rodoviárias você tem que pagar, então sempre tenha moedas em mãos. Algumas rodoviárias têm banheiros com chuveiro, a de Santa Cruz de La Sierra era uma delas.

Uma das paradas do ônibus. Muita opção de comida para comprar.

Fique atento! A vista é Linda!

Ônibus: Santa Cruz de La Sierra até Sucre – Bolívia. Fonte: Google Maps. 

Chegamos a Sucre na manhã do dia 31/12 e ali começamos a definir mais o roteiro da viagem. O importante é você saber os principais lugares que quer visitar e fazer tudo caber nos dias em que você tem. Nosso objetivo era: Salar de Uyuni, Deserto do Atacama e Machu Picchu. 

Então Sucre ficou de fora do nosso roteiro por causa do tempo, mas é uma boa parada! Outra que não fizemos foi Potosi, então, se você tem mais dias coloque essas duas cidades no seu roteiro.

Em Sucre apenas trocamos de ônibus e mais aproximadamente 9 horas  até Uyuni. No último dia do ano estávamos na cidade de Uyuni e logo que chegamos procuramos um hostel. Mais tarde procuramos uma agência para comprar a excursão do Salar de Uyuni.

Ônibus: Sucre até Uyuni Bolívia. Fonte: Google Maps. 

E assim foi nossa ceia de Ano Novo, sem muito glamour hahahaha

  • Tem muitas empresas que fazem o passeio no Salar de Uyuni. Eu esqueci o nome da empresa que nós escolhemos, o folheto de informação está na minha casa no Brasil, quando o tiver escrevo aqui. Dica: entre em ao mínimo 3 agências para você perguntar o preço e o que eles oferecem (o pagamento é feito em dólar, em Uyuni pode-se sacar ou trocar dinheiro).
  • As empresas fazem vários tipos de passeio: 3 dias de passeio com ponto final na fronteira com o Chile; 3 dias de passeio com retorno a Uyuni;  1 dia de passeio pelo Salar de Uyuni; enfim, tem vários.

No dia 1 de janeiro de 2014 partimos muito cedo para os 3 dias de excursão. Paisagens que deixaram meu queixo caído!!!!

Outras informações gerais de relevância:

  • Leve muita água! O suficiente para 2 dias e meio. Nessa excursão é incluso as refeições, mas não a água que você toma durante o dia. E também papel higiênico, as vezes não tem nas paradas e no hostel.
  • A excursão é feitas um Jeep 4×4 para o máximo de 7 pessoas, na nossa caminhonete estavam o guia (condutor), eu e meus 2 amigos, uma menina colombiana e um casal da Escócia,
  • Se você que quer viajar pelo Salar de Uyuni com seu próprio carro, caminhonete, moto, ect. CUIDADO. O Salar é um deserto e você pode se perder. GPS? Não funciona (informação dada pelo nosso guia). Uns meses antes dessa nossa viagem uma família se aventurou e foi viajar pelo Salar e ficaram 4 dias perdidos. Eles foram encontrados por um guia que fazia excurssão.
  • A cidade de Uyuni não tem nada pra fazer, então no máximo só passe a noite e no próximo dia partiu Salar. Ali também é muito frio pela noite (foi quando comecei a usar minhas roupas de frio)
  • Super importante: No Salar leve um óculos de sol! Se você não tiver vai sentir dificuldade de ficar com o olho aberto, é claro demais. Outras coisas essenciais são protetor solar, protetor labial e hidratante (se você tem a pele seca como eu abuse do hidratante).
  • Nos 2 hostels tinha cobertor (os hostels estão juntos no pacote). Eu não senti necessidade de levar saco de dormir, li em outro lugares que era necessário, eu arrisquei não levar e não precisei. Eu aconselho você buscar aqui mais informações para decidir!
  • Uso da folha da coca por causa da altitude: em vários mercadinhos nas cidades tem a folha da coca para vender. Eu usei no segundo dia da excursão quando estávamos na região dos vulcões e geisers. Você não deve mascar a folha da coca como se fosse uma comida, deve-se enrolar algumas folhas e colocar no fundo da boca pressionando com os dentes e o liquido sairá, aliviando a dor de cabeça causada pela altitude.
  • E o mais importante: converse com seu condutor!! Ele sabe TUDO sobre aqueles lugares!

DIA 1

  
Cemitério de trens 

Cemitério de trens 

Parada em uma feira de artesanatos antes de entrar no Salar

A primeira parada do roteiro é o Cemitério de Trens, quando você chegar lá, observe as montanhas em volta! São lindas!

As locomotivas começaram a ser desativadas nas primeiras décadas do século XX, provavelmente pela combinação de alguns acontecimentos como a escassez de minérios, a Crise de 1929 e a perda da terra para o Chile que dava acesso ao mar. E assim os trens foram abandonados perto da cidade de Uyuni, na alta planície Andina.

 
Começou!!!

Extração de Sal

 
Nessa hora você precisa muito do seu óculos de sol!

Lindjusss!!

Foto preferida! Obrigada Fran 🙂

Depois da feira de artesanatos começamos a ver as mais lindas paisagens, como vocês mesmos podem ver! E também fizemos uma parada na Ilha del Pescado para conhecer e almoçar! O almoço é servido pelo nosso guia, ele mesmo esquenta a comida e serve os pratos, comemos todos juntos numa mesinha ali na ilha.

 
Ilha del Pescado

Ilha del Pescado

 
Salar de Uyuni

Depois do almoço fizemos mais uma parada para fotos e nos despedimos do Salar e seguimos em direção ao hotel de sal! Sim!!!!! O hotel era de sal!!!!

 
Sala de jantar do hotel de sal

Nosso quarto!

Hora de dormir!

Experiência única se hospedar nesse hotel! Tudo muito aconchegante e a comida bem caseira e deliciosa! No final desse dia a viagem já tinha valido a pena!

  • As mochilas vão sempre em cima do Jeep amaradas com lona e no fim do dia o guia te entrega. É interessante ter uma mochila pequena pra você levar seus pertences como carteira, água, papel higiênico, etc. dentro do Jeep.. 

DIA 2

Dia 2 de janeiro partimos para o segundo dia da excursão. O café da manhã também estava incluso no pacote e foi nossa despedida no hotel de sal. Nesse dia nós visitamos Lagunas, Vulcões e Geisers. Sinceramente eu não lembro do nome de tudo, então não vou nomeá-los para não dar informação errada.

Quando estávamos na altitude de aproximadamente 4.900 metros eu usei a folha de coca por causa da dor de cabeça.

  • A dor de cabeça nesse caso é causada pela dificuldade do nosso corpo em absorver oxigênio. Eu li que os medicamentos ‘dramim’e ‘meclin’ ajudam nesse caso. Levei na viagem o meclin, mas preferi usar a folha de coca que era natural.
  • Que medicamentos levar na viagem? Pergunta difícil porque é muito pessoal e depende o que cada pessoa pode tomar. Eu levei paracetamol, o meclin, e algumas coisas para o estômago e de intestino. 
  • Eu tive apenas um probleminha na viagem, tive piriri uma noite porque esqueci e tomei sopa na Bolívia! Meus amigos também tiveram isso, mas foi apenas uma noite também, nada muito grave.

 
Vulcão

 
Laguna

Vulcão

 
Laguna

O Jeep da nossa viagem

Laguna

 
Geiser Sol de Mañana – aqui era bastante frio!

Geiser – aqui você pode se banhar, eu não fiz porque prefiro uma praia, se é que você me entende 😉

No video abaixo você pode ver melhor o Geiser. Esse video está sem editar, então os comentários são verdadeiros hahaha

O cheiro de enxofre era fortíssimo!

Na segunda noite dormimos em um hotel mais simples e que não podia tomar banho (o hotel de sal tinha chuveiro), mas calma não é o fim do mundo! Quero dar essa informação para você já saber como é o esquema. Esse também teve jantar e cafe-da-manhã no próximo dia.

O passeio do dia 3 foi apenas para nos deixar na fronteira com o Chile (eu não lembro quais paradas fizemos aquela manhã). Ali nós despedimos temporariamente da Bolívia e um ônibus (incluso na excursão) nos levou para Atacama-Chile. O nosso Jeep retornou para Uyuni com o guia e o casal de escoceses.  

A parte 2 contará tudo sobre o deserto do Atacama! Aqui deixo meu profundo agradecimento aos meus amigos Fran e Rafa pela companhia nessa aventura! Melhor viagem! 

Um abraço e até breve com a parte 2!!!

Natalia

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